Velho demais pra ser bom de videogames?

“Git gud”, como o pessoal costuma se provocar em jogos online competitivos. Steve Rousseau – Vice.31.10.19

Millennials cresceram com alguns dos desenvolvimentos que mais mudaram o mundo: a internet, celulares, a incapacidade do livre mercado de fornecer coisas básicas como saúde que eles possam pagar, e mais importante, videogames. Segundo um relatório do Nielsen divulgado no verão passado, eles agora representam 40% do público de videogames. Millennials jogam mais jogos online que a Gen X, assistem quase tantos streams do Twitch quanto a Gen Z, e gastam mais dinheiro em videogames que qualquer outro contemporâneo.

A performance cai com a idade, apesar dos esforços para melhorar. O vencedor mais recente da Fortnite World Cup, que ganhou US$ 3 milhões, tem apenas 16 anos, e a maioria dos profissionais de esports se aposenta antes dos 25, e acreditam que seu próprio declínio é devido à idade. A idade média dos últimos três vencedores do torneio de Counter-Strike: Global Offensive é de 23 anos. Uma palavra melhor pode ser obsolescência.

Num nível profissional, jogadores mais velhos sempre conseguiram manter sua grandeza jogando com mais inteligência, não esforço – pense em Tim Duncan, Ichiro Suzuki e Serena Williams. Mas essa lógica não parece se sustentar quando se trata de gamers millennials. De algum jeito, mesmo com toda sua experiência de crescer jogando videogames, as gerações mais novas parecem superá-los ser esforço.

A resposta simples parece ser que jogadores mais velhos não têm tanto tempo todo dia pra jogar.

Em 2014, Joe Thompson, então estudante de Ph.D em psicologia na Saint Francis University, publicou um estudo que examinava dados de mais de 3 mil jogadores de Starcraft II, de idades entre 16 e 44 anos, e descobriu que o tempo de reação ficava mais lento com a idade. Não foi uma descoberta tão inesperada, exceto pelo fato que Thompson descobriu que o declínio entre esses jogadores começava aos 24 anos.

Um ano depois, Shoshanna Tekofsky, pesquisadora de AI que estava trabalhando em seu doutorado na Tilburg University, publicou um artigo sobre a influência da idade no comportamento de jogadores em Battlefield 3. Tirando dados de mais de 10 mil jogadores de Battlefield, e examinando a relação entre idade e várias ações de jogadores – pense em coisas como pontos, capturas objetivas, habilidade do uso de classe – Tekofsky notou uma tendência interessante na proporção de mortes realizadas e mortes sofridas, sem dúvida o padrão de ouro para determinar a performance num jogo de tiro em primeira pessoa. Essa proporção era mais alta para jogadores no final da adolescência, começo da faixa dos 20 anos, depois declinava entre jogadores do meio para o final da faixa dos 20.

KYLE “BUGHA” GIERSDORF COMEMORA SUA VITÓRIA NA FINAL SOLO DA FORTNITE WORLD CUP NO ESTÁDIO ARTHUR ASHE EM 28 DE JULHO DE 2019, NOVA YORK. MIKE STOBE/GETTY IMAGES

Em várias outras medidas no jogo, ela notou essas curvas em U invertidas – onde os jogadores adolescentes eram OK, jogadores de 20 e poucos anos eram os melhores, e jogadores mais velhos estavam piorando com a idade – em várias medidas, como destravar pontos e pontos objetivos.

É geralmente aceito que nossas habilidades motoras declinam com a idade, mas que experiência e conhecimento acumulado só cresçam.

Um estudo de 2017 que examinou a relação entre inteligência e performance em League of Legends e Dota 2. Na primeira parte do estudo, pesquisadores trouxeram jogadores locais de League of Legends, testaram seus níveis de inteligência fluída, basicamente sua capacidade de pensar em estratégias na hora, e compararam isso com seus ranqueamentos matchmaking (MMR), quanto mais alto é o MMR, melhor o jogador. Sem surpresa, jogadores com os maiores pontos de inteligência fluída também eram os melhores ranqueados no jogo. A segunda parte do estudo comparava dados de MMR de quatro jogos – Destiny 2League of LegendsBattlefield 3 e Dota 2 – e idade. Athanasios Kokkinakis, o líder do estudo, viu o mesmo pico que Thompson e Tekofsky encontraram. Em outras palavras, parece que fisiologicamente, jogadores mais jovens são simplesmente melhores que seus colegas mais velhos.

Mas os três estudos apresentam um fator de confusão em suas descobertas: o efeito de coorte. Toda geração cresce diferente. Dizer que a diferença entre os dois é idade omite muitos fatores e influências. O melhor exemplo disso é o efeito Flynn, explicado por Kokkinakis.

O cenário mais provável é o mais difícil de aceitar: uma geração mais jovem, maior e mais habilidosa finalmente emerge para tomar a liderança, você não pode simplesmente “git gud”. Na nossa lenta marcha para o esquecimento, precisamos escolher: tomar uma surra ou ir jogar outra coisa.

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