Prefeito de Nova York recebe primeiro salário em criptomoedas

O prefeito de Nova York, Eric Adams, cumpriu sua promessa de campanha que receberia seu salário em criptomoedas, caso ganhasse as eleições de 2021. Hardware.com.br

Eric Adams comemorando a vitória na eleição municipal de Nova York. Créditos: Matteo Sbalatta-Bracaria

Adams afirmou que receberia seus três primeiros contracheques em criptomoedas em novembro, quando os mercados estavam no seu auge. Hoje, a capitalização total de mercado caiu 36,4% em relação à alta de novembro, mas o prefeito pró-Bitcoin permanece inquieto. Martin Young

Adams assumiu o cargo no dia primeiro de janeiro deste ano, após uma vitória esmagadora, e na data de 21/jan/2022, recebeu o seu primeiro pagamento em criptomoedas.

Em novembro, um desafio foi feito por Anthony Pompliano, que na época tuitou: “Chegou a hora. Quem será o primeiro político americano a aceitar seu salário em Bitcoin?”

O prefeito pró-Bitcoin de Miami, Francis Suarez, foi o primeiro a responder dizendo que receberia seu próximo salário em BTC. Para não ser superado, Adams disse que pegaria seus três primeiros.

No entanto, para cumprir sua promessa, Adams precisou utilizar algumas artimanhas, tendo em vista as leis trabalhistas dos Estados Unidos.

Nos EUA, as regras o Departamento do Trabalho determinam que os salários dos habitantes da cidade de Nova York, incluindo o prefeito, sejam pagos em dólares. Portanto, o atual prefeito de Nova York utilizou o Coinbase, uma plataforma de câmbio de criptomoedas para converter automaticamente o seu pagamento em Bitcoin e Ethereum.

Com isso, o salário quinzenal do prefeito, de US$ 9.924,66 foi convertido em ativos de criptomoedas. O perfil oficial do prefeito de Nova York postou um vídeo no Twitter reafirmando a ação de Adam. “Promessa feita. Promessa Cumprida”.

“Nova York é o centro do mundo, e queremos ser também o centro das criptomoedas e de outras inovações financeiras”, disse o prefeito em um comunicado.

Além disso, Adams afirmou que estar na vanguarda de uma inovação desse calibre ajudará a cidade a gerar novos empregos, melhorar a economia e continuar a ser um “ímã para atrair talentos de todo o mundo”.

Entretanto, alguns analistas da relação entre tecnologia, finanças e política, enxergam a ação do prefeito de Nova York como uma estratégia já conhecida: flertar com a comunidade empresarial, pois o setor das Fintechs é um crescente campo na metrópole. E empresas baseadas em blockchain representam uma boa parte do setor novaiorquino de fintechs.

Por outro lado, a indústria apoiou a ideia de Eric Adams, financiando sua campanha em 2021.

A afirmou que, embora o anúncio do prefeito de Nova York tem um caráter um tanto quanto “populista”, suas ações podem deixar seus eleitores mais confortáveis em relação às criptomoedas.

“Ver o prefeito de Nova York disposto a converter o seu próprio dinheiro em criptomoedas transmite uma mensagem poderosa”, disse a Senadora do estado de Nova York, Diane J. Savino, que lidera o Comitê de Internet e Tecnologia do Senado Americano, aliás, ressaltou a necessidade da criação de mecanismos por parte do estado para regulamentar a nova tecnologia, em vez refrear o seu crescimento por temer os riscos ambientais ou para os investidores.

“Pelo amor de Deus, nós administramos a Bolsa de Valores de Nova York. Nós podemos fazer isso”, finalizou a senadora.

Entretanto, economistas, sobretudo os que consideram as criptomoedas uma bolha ou piramide financeira, adotam uma postura cética em relação à postura do prefeito de Nova York.

Aliás, a ação gerou críticas não somente das companhias financeiras mais tradicionais, mas também de ambientalistas, devido ao impacto climático causado pela mineração de criptomoedas.

A ex-diretora da Agência de Proteção ao Meio-ambiente (EPA) da região de Nova York, Judith Enck, afirmou que o “Bitcoin é um desastre ambiental”. Enck destaca a reabertura de uma usina de combustíveis fósseis para mineração de criptomoedas.

Antiga usina de carvão reativada para mineração de criptomoedas. Créditos: Robert Skov/NPR

A China, por exemplo, já baniu todas as operações de criptomoedas no país, que sofria com quedas de energia e poluição. O Banco Central da Rússia, por sua vez, anunciou uma proposta para banir o uso e a mineração de criptomoedas em todo o território do país, citando riscos à estabilidade financeira e ao bem-estar dos seus cidadãos.

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